República Bicicletas

República Bicicletas

Nem sempre é fácil achar uma bike de qualidade que seja perfeitamente adequada ao seu gosto, estilo ou mesmo ao ser perfil e tamanho. E o que muita gente não sabe é que é possível sim encomendar e comprar uma bicicleta feita exatamente conforme você quer e precisa.

É ai que entra o framebuilder, um profissional que constrói bicicletas artesanalmente, calculando e soldando cada tubo para produzir quadros e garfos sob medida. Cada etapa é pensada, calculada, cada material escolhido de acordo com a necessidade e características como resistência e tipo de uso.

A República Bicicletas é uma empresa formada por Fernando Pavão e Angelo Maestri e é especializada nesse tipo de trabalho. Ideia que surgiu em 2012, da iniciativa de Fernando Pavão e que em 2013 se concretizou como marca.

Conversamos com Fernando Pavão em uma entrevista super legal, falando sobre a sua história e o trabalho realizado na República.

  • Antes de trabalhar como construtor de bikes, qual era seu ofício?
    Comecei os primeiros quadros durante a faculdade de engenharia mecânica ainda, pela metade do curso, porque estava desmotivado com a vida acadêmica. Trabalhava como tradutor na época, mas o projeto da República aconteceu em paralelo a tudo isso. Era pra ser um hobby pessoal que acabou evoluindo para um negócio.
  • Quando começou o seu trabalho como framebuilder?
    Acredito que por volta de 2012. O mercado brasileiro de ciclismo era ainda mais carente do que é hoje. Como eu não encontrava o que queria num preço viável (que era basicamente um quadro de fixa no meu tamanho) e já tinha interesse em produzir algo com as próprias mãos, acabei me motivando. Depois de um ano, quase 10 quadros feitos e muita pressão dos amigos, surgiu a marca República. Desde lá, já são mais de 200 quadros rodando pelo Brasil e alguns pelo mundo.
  • E quanto tempo levou para desenvolver e botar em prática a República Bicicletas? Conte um pouquinho sobre essa história e de onde vem o nome.
    Eu sempre fui muito interessado por bicicleta e estudei a respeito. Então entre decidir construir e efetivamente fazer o primeiro quadro, até que foi rápido. Perto de 6 meses. Depois disso, foram mais 6 meses até chegar num nível que me desse confiança para começar a vender. O nome República na verdade veio da rua em que eu moro, em Porto Alegre. Mas acho que além disso, a ideia republicana até que reflete bem a filosofia da marca e do ciclismo, não é mesmo?

  • Quais as dificuldades você enfrentou durante o desenvolvimento?
    Como iniciei tudo sozinho e sem nada de recursos, devo ter enfrentado todas as dificuldades que poderiam aparecer. Desde questões financeiras, de tentativas e erros de projetos, acesso à informação e tudo mais. Do que aprendi, a maioria foi por tentativa e erro ou por fóruns da internet. Primeiramente não tinha nem ideia de como soldar, nem muita noção de segurança básica em oficina. Cortei bastante as mãos no processo de aprendizagem, mas por sorte nada sério. Me queimei várias vezes nas varetas de solda, inclusive na testa uma vez (pelo menos não ficou cicatriz essa, haha). No começo os quadros saíam bem desalinhados também, pois não tinha muita noção nem os macetes que peguei com o tempo, tipo em que direção soldar para o quadro ir para o lado certo. O acabamento das soldas também era bem difícil no começo, pois isso é uma coisa bem difícil de aprender apenas lendo sobre, mas com o tempo conseguimos aprimorar bastante e hoje estamos bem satisfeito nesse quesito. Ainda hoje não é um serviço fácil. No fim, acho que só por gostar muito do que fazemos que seguimos em frente.
  • Quais as principais características de um quadro totalmente feito sob medida?
    O que diferencia ele de um quadro comum é justamente o quão adequado ele é para a pessoa que irá pedalar. Isso se transforma em conforto e, consequentemente, em prazer e rendimento. É como um cliente disse certa vez: “parece a extensão do corpo”. Isso proporciona confiança para chegar mais perto do limite e focar no que importa, que é a pedalada.
  • Quando você opta por trabalhar com cada material: aço, cromoly ou Columbus/Dedacciai? Quais as características de cada um?
    Via de regra, a escolha do material é feita com base no interesse e no orçamento do cliente. Se considerar características e custos, todos tem vantagens e desvantagens. O que vendemos mais é o aço carbono, ou aço 1020, que é a liga dele. Essa é a opção de entrada, mais barata. Sendo um material mais comum, é também mais pesado O cromoly 4130 é uma outra liga de aço, mais trabalhada e de maior qualidade. Sendo mais forte, os tubos podem usar paredes mais finas. Essa redução na espessura diminui o peso geral do quadro e também permite que ele trabalhe mais, aumentando o conforto. Já a Columbus e a Dedacciai são marcas especializadas na produção de tubos de cromoly específicos para o ciclismo. Em geral, seus tubos tem a espessura variável, sendo ainda mais finos na parte central, sem que comprometa a resistência. Isso faz com que as vantagens dos tubos de cromoly sejam ainda mais acentuadas e notadas.
  • Cada projeto é completamente customizado, desde as medidas para cada cliente, geometria e até a pintura?
    Trabalhamos com duas linhas de produtos: os modelos com geometrias padronizadas e os quadros inteiramente customizados. Os modelos padronizados são feitos com geometrias que desenvolvemos ao longo dos anos para cada categoria do ciclismo. Nesses casos, ainda que a geometria siga um padrão próprio da nossa marca, cada quadro é produzido exatamente para as medidas do cliente que está comprando. Já os customizados tem a geometria feita do zero para cada cliente e servem para atender projetos únicos, que não se enquadram na nossa linha de modelos padronizados. No fim, todos os quadros são feitos sob medida.

  • Você desenvolve quadros para asfalto (road, fixa, urbana…) cross (mtb e gravel), pista. Quais tem mais pedidos pelo público?
    Já estamos produzindo produtos para todas categorias de ciclismo, mas a procura maior ainda é pelas fixas. Foi o estilo que deu notabilidade à nossa marca e ainda somos fortemente associados a ele. Aos poucos isso está mudando e já temos bastante procura por quadros de GRAVEL, por exemplo. Acredito que a razão seja a mesma das fixas há uns anos atrás: é outra categoria cujas opções e preços são restritivos no Brasil.

  • Quais os pedidos mais loucos ou ousados que vocês recebeu?
    Acho que já vimos de quase tudo. Nesse quesito, os pedidos mais recorrentes devem ser as minivelos, mas que nunca saíram do papel. Os framesets de poleiras já estamos produzindo!
  • Apenas pedidos nacionais ou já tem bicicletas da República rodando fora do país?
    Atendemos fora do Brasil também, apesar da procura ser menor. Por mais incrível que pareça, é bem tranquilo despachar para o exterior. Temos um quadro na República Tcheca que ainda não foi montado e uma Catalina rodando na Austrália, se não me engano.
  • Além de quadros você produz acessórios como bagageiros. Que outros acessórios você cria?
    No momento, fazemos quadros, garfos e bagageiros. Eventualmente atendemos algum pedido que fuja um pouco disso, como suportes para ciclo viagens, entre outros. Temos alguns projetos para estender essa linha de produtos, mas ainda estão no papel.
  • Quanto tempo em média leva a produção de um frameset completo?
    A produção em si é rápida, leva aproximadamente uma quinzena. O prazo para atender os pedidos que acaba sendo maior por conta da fila de espera e por fazermos partes do processo em lote.
  • Quais os desdobramentos e novos projeto podemos esperar pela frente?
    Num futuro próximo queremos desenvolver mais opções e aprimorar a nossa linha de garfos. Mais adiante, vislumbramos poder oferecer mais variedades de peças para as bicicletas que vendemos completas.
  • Quem quiser ter uma bike da República como faz para encomendar?
    Atualmente nosso contato principal é o e-mail contato@republica.cc. Atendemos também nos chats do Facebook e Instagram, mas a conclusão dos pedidos é direcionada sempre para o e-mail. São muitas informações em cada pedido e ainda não inventaram algo melhor do que o e-mail para organizar tudo isso.

É um trabalho incrivelmente bem feito e cada bike acaba sendo única. Mesmo que siga exatamente os mesmos gabaritos e medidas, mas cada detalhe minucioso do trabalho feito à mão garante originalidade, qualidade e singularidade à cada quadro, à cada bike. E ai, o que está esperando para encomendar a sua? Procuro o Fernando Pavão e o Angelo Maestri na República Bicicletas.